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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Poesia/Poema


Soneto do amigo
Vinicius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Poema


PEGADAS NA AREIA


Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor
e no céu passavam cenas de minha vida.
Para cada cena que passava,
percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia:
um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida
passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia,
e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu
nos momentos mais difíceis
e angustiantes da minha vida.
Isso aborreceu-me deveras
e perguntei então ao meu Senhor:
- Senhor, tu não me disseste que,
tendo eu resolvido te seguir,
tu andarias sempre comigo,
em todo o caminho?
Contudo, notei que durante
as maiores tribulações do meu viver,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Não compreendo por que nas horas
em que eu mais necessitava de ti,
tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho.
Jamais te deixaria nas horas
de prova e de sofrimento.
Quando viste na areia,
apenas um par de pegadas,
eram as minhas.
Foi exatamente aí,
que te carreguei nos braços.

Autoria: Copyright © 1984 Mary Stevenson, a partir do texto original 1936, Todos os direitos reservados **

** Esse poema é um dos mais belos e verdadeiros sobre o Senhor de nossas vidas, que nos segura no colo, nos ampara, segura em nossas mãos e nos leva pelo caminho... Sua autoria é reinvidicada por 5 pessoas (pasmem), mas parece que a autoria mesmo do poema é de Mary Stevenson, escrito em 1936.


Em 1987 foi comprovado nos Estados Unidos que uma cópia datada de 1939 era verdadeira e foi escrita por “Mary Stevenson” e não por “Margaret Fishback Powers no Canadá”, no entanto, o Canadá não alterou a sua versão e continua concedendo direitos autorais a Margaret Fishback Powers.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Merecimento
Marla de Queiroz


Eu desejo que você consiga perceber a sua força, por causa e apesar de. Que saiba que é grandioso demais para achar que não é, mas que, às vezes, têm limitações que precisam ser trabalhadas. Eu desejo que você, antes de me contar seus defeitos, que fale para se escutar sobre as suas qualidades, as essenciais, porque o material não te faz mais bonito ou menos interessante, seu coração é a sua nobreza.

Eu desejo que no mundo haja mais pessoas com a sua generosidade, mas que sua percepção disso seja convertida para o seu Bem também. Desejo que você não apenas ajude, mas aprenda a pedir ajuda: se humildando na sua capacidade de dar e se permitindo receber o que é justo.

Desejo que, no auge do seu cansaço, você não fuja, que simplesmente consiga chorar por um profundo respeito a si mesmo. E que deixe que o Universo te afague, que a Vida te acaricie, que um Poder Superior te ouça e dê o colo que você precisa. Eu desejo que você possa dormir quando sentir sono. E que possa acordar com a boa notícia que espera.

Porque você merece comemorar mais uma vitória. Você merece sorrir com seu coração.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Há tanta saudade


Há tanta saudade
no vento que passa,
nos ponteiros que brincam...
Há tanta saudade na canção,
no olhar diante do espelho.
Há tanta saudade fazendo barulho... 
Dentro da alma da gente.
Saudade que ri, chora, silencia 
diante da graça do tempo.
Há tanta saudade em ouvir as gargalhadas 
de alguns amigos que o tempo levou, que a vida afastou...
Há tanta saudade em ter nos braços os filhos que cresceram,
em pegá-los pelas mãos para a rua atravessar.
Há tanta saudade nas ruas por onde crescemos, 
uma sensação de que nunca saímos de lá.
Tanta saudade... Bonita, menina...
É nossa história que faz bem lembrar.

(Sirlei L. Passolongo)

sábado, 2 de agosto de 2014

 
Motivo
Cecília Meireles
 
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

terça-feira, 8 de julho de 2014



"Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor. 
Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dele. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. 
É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso. 
Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de “pessoas especiais”, mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos."

(Martha Medeiros)

sábado, 10 de maio de 2014

Para Sempre

Por que Deus permite 
que as mães vão-se embora? 

Mãe não tem limite, é tempo sem hora, 
luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, 
veludo escondido na pele enrugada, 
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 

Morrer acontece 
com o que é breve e passa sem deixar vestígio. 

Mãe, na sua graça, é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
— mistério profundo — 
de tirá-la um dia? 

Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca, 
mãe ficará sempre junto de seu filho 
e ele, velho embora, 
será pequenino feito grão de milho. 


Carlos Drummond de Andrade, 
in 'Lição de Coisas'

Fonte: http://www.citador.pt/poemas

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que o amor tirou de mim


O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele tira de mim: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios. 

Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora. 
Ele apazigua o meu peito com uma lista breve de prós e contras. Mas me dá escolhas. 
Eu me percebo transformada pelo que o amor tirou de mim por precisar de espaço amplo e bem cuidado para se instalar. 
O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele; tira também a intransigência. 
O amor me ensina a negociar os prazos, a superar etapas, a confiar nos fatos. 
O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade, de ir embora antes de sentir vontade, de abandonar sem saber por quê. E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia.
Porque não posso virar as costas pra uma mania quando ela vem de uma pessoa inteira. 
Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia. 
O amor me tira coisas que eu não gosto, coisas que eu talvez gostasse, mas me dá em dobro o que nunca tive: um namoramento por ele mesmo. 
O amor me tira aquilo que não serve mais e que me compunha antes. 
O amor tirou de mim tudo que era falta.

quinta-feira, 17 de abril de 2014


"Liberdade pra quem?
Liberdade é o que você sente, não o que você faz. Por mais que tente vender uma imagem, que viaje o mundo, que aja como único proprietário do seu nariz, ainda assim você não será verdadeiramente livre. Ou melhor, não será "por causa" disso. O que vai te fazer desprendido, aberto, dono dos seus passos está no que ninguém pode ver. Nas pequenas ações.
Você é livre no corriqueiro.
No trivial. No arroz com feijão de todo dia e sempre. Sua independência está nas pequenas decisões desimportantes, em como vê o mundo -- uns veem só uma rua, outros observam o comportamento das pessoas. Alguns recebem um agrado como um ato bonito, outros leem o que está por trás, mas não foi dito em palavras.
Livre pra mim é quem é capaz de perceber com os próprios olhos, sem ter ninguém ditando o que ele deve ou não pensar. Liberdade pra mim é ser o que se é desconectado, e não o que se vende nas "redes e rodas" sociais.
Você é livre quando é capaz de viajar, mesmo que só tenha ido até a esquina. Quando tem um grande ato, mesmo que ninguém esteja por perto para dizer o quanto é brilhante. Quando age sem roteiro pré-determinado e executa o seu melhor papel: ser você mesmo."  
(Fernanda Gaona)