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quinta-feira, 7 de maio de 2015


"A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.


O resfriado escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.

O diabetes invade quando a solidão dói.

O corpo engorda quando a insatisfação aperta.

A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.

O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aperece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção. O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos, existem semáforos chamados Amigos, luzes de precaução chamadas Família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão, um potente motor chamado Amor, um bom seguro chamado Fé, abundante combustível chamado Paciência. Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS, ou como O queiram chamar." 
Nelson Torres.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cinquentona
Manoel Carlos 


Minha amiga Sylvia fez 50 anos e deu uma linda festa para os amigos.
Brigadeiros, casadinhos, olhos-de-sogra, além de salgados e bebidas à vontade. E no centro da mesa, iluminado por cinqüenta velinhas, um colossal e saboroso bolo de aniversário. Ah, e também, claro, com direito a um coro de muitas vozes cantando "Parabéns pra Você".

- Que coragem - brincou o Zé Mário, nosso velho companheiro das noitadas de pôquer.
Sylvia rebateu em cima:

- Por quê? Acha que ainda escondo a minha idade? Já superei isso, meu caro.

- No seu caso não é esconder - continuou Zé Mário.

- Pra que declarar, se você aparenta menos?

- Mas é justamente por isso que sinto tanto prazer em revelar minha verdadeira idade. É para ver as pessoas admiradas. Meus 50 anos não são um peso, mas um prêmio, um troféu, uma tocha olímpica que carrego com orgulho pela vida afora. Que é que você pensa? Sou uma cinqüentona e ainda bato um bolão!

E, nesse clima de feliz comemoração, varamos a noite, o champanhe gelado, o vinho rubro. E não é preciso dizer que a aniversariante reinou o tempo todo, dançando sem parar, nocauteando homens até dez anos mais novos do que ela. Como o seu próprio marido, o terceiro, que no sábado próximo estará completando 41 anos.

Sei que nem todas as mulheres são Sylvia. E que, para ser como ela, é preciso muita vontade, algum sacrifício e uma boa dose de herança genética. Mas o mais necessário mesmo é a disposição para a felicidade e a certeza de que sempre, sempre estará em tempo de viver uma vida produtiva. De qualquer maneira, mesmo as que não são Sylvia se sentem hoje mais livres do que nunca desse estigma que por décadas marcou todas elas e produziu um repertório imenso de piadas infames e cruéis: diminuir a idade. Concluí que hoje em dia as mulheres de 50 não têm mais do que 30! Verdade. Muitas das minhas amigas já passaram dessa marca e nunca se sentiram tão bem.

Em 1980 escrevi alguns programas da série Malu Mulher para Regina Duarte. Num deles, Malu comemorava 33 anos. Dei a esse episódio o título Antes dos 40, depois dos 30, colocando esse período de dez anos como o mais positivo na vida de uma mulher. Seu tempo de felicidade. Bem, isso foi em 1980. Vinte e cinco anos atrás. Hoje eu não escreveria essa história. Hoje sei que uma mulher pode ser feliz para sempre, levantando-se a cada tombo. Em sua maioria, elas já não entram em crise por causa da idade. Claro que não querem envelhecer. 

Ninguém quer. Mas esse não querer não está ligado apenas à aparência, mas à saúde, à boa disposição para enfrentar o dia e... - sem nenhuma dúvida - à certeza de que não existe idade que as impeçam de amar, ser amadas. E de ainda fazer bonito entre os lençóis de uma cama. Sylvia, por exemplo, tem tudo para botar um garotão com a língua de fora, sôfrego, cansado, pedindo um tempo.

Eu me lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que, quando foi subitamente abandonada pelo marido, provocou em minha mãe esta frase: "Pobre Dolores! Sozinha aos 50 anos! O que vai ser dela agora?". A consternação da minha mãe traduzia o que se pensava de uma mulher que tivesse ultrapassado a marca dos 25, 30 anos no máximo. Uma velha. Não sei o que aconteceu com a pobre Dolores, mas acredito que tenha arrastado por toda a vida a amargura e a desesperança. Atualmente, uma separação aos 50 anos pode ser o começo de um novo tempo, muitas vezes melhor, mais feliz do que o anterior. Sem contar que, nos dias de hoje, um casamento que vai mal das pernas não dura até a mulher chegar aos 50. Acaba antes, já que elas não carregam uma vida infeliz por muito tempo.

Nas minhas novelas procuro retratar as mulheres maduras, essas que já passaram dos 40. São elas que têm as melhores histórias para contar, as confissões mais tocantes, as lembranças mais ternas, os episódios mais picantes. Que ainda sofrem e choram, sim, mas que não sofrem nem choram para sempre. E que, quando fazem 50 anos, dão festa, convidam os amigos, apagam as velinhas e fazem coro em causa própria, cantando o Parabéns pra Você!

Por isso digo e repito: bem-aventuradas as cinqüentonas! As que se renovam a cada dia, a cada instante, e que podem renascer incessante e indefinidamente, repetindo os versos de Cecília Meireles:

"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".

Fonte: http://longevidade-silvia.blogspot.com.br

domingo, 19 de abril de 2015


7 Coisas que Pessoas Felizes Nunca Fazem
Por Celia Pardi


Os americanos adoram fazer listas pra tudo. Minha vida profissional nas revistas femininas foi recheada de “25 cortes de cabelos”, “30 maneiras de se sabotar”, “10 maneiras de usar o mesmo casaco”… lições vindas da escola americana de jornalismo feminino. Acho que as leitoras gostavam! Outra coisa que os americanos adoram são regras para ser feliz. Sempre impliquei um pouco com essa cultura, mas, por experiência própria, sei o quão proveitoso pode ser refletir sobre “listas” que nos parecem tão banais. Por exemplo: 7 Coisas que Pessoas Felizes Nunca Fazem. Já parou para pensar? Dá uma olhadinha – quem sabe você se torna uma pessoa mais feliz se evitar fazer algumas delas também?

1. Elas não evitam problemas.
Evitar problemas nunca ajudou a solucioná-los. Às vezes pode ser muito difícil ficar em pé e encarar seus problemas. Mas se você se mantiver inteira e procurar por soluções, pode descobrir que é melhor resolvê-los do que ficar assombrada por eles.

2. Elas não se preocupam com a vida alheia.
Quando você toca sua vida e faz o que gosta, se sente livre e feliz. Mas tente comparar sua vida com a de outras pessoas e começará a ver pontos negros na sua felicidade. Portanto, sua vida é sua, a dos outros a eles pertencem. Comparações nesse sentido nunca ajudaram alguém a ter paz de espírito. Ouça seu coração, seja e faça o que você quer. Você se sentirá mais feliz.

3. Elas não deixam outras pessoas serem responsáveis pela sua felicidade.
Você já reparou que não precisa da permissão de ninguém para ser feliz? A sua felicidade é só sua e você é a responsável pelo que sente. A sua felicidade não vem de fora, não vem de outras pessoas. Só pode vir de você.

4. Elas nunca ficam com pessoas negativas.
É muito importante não ficar em ambientes negativos, mas às vezes não dá para evitar. Nesses casos, existem coisas que você pode mudar. Para o ambiente negativo não afetar você, afete-o antes! Por exemplo, você pode pensar em coisas bem positivas que a ajudam a não perder sua atitude positiva. Sorrir, pensar em coisas boas, não se incomodar com o mau humor de outrem, enviar mentalmente ondas positivas para o ambiente. Funciona, sabia?

5. Elas perdoam. Elas esquecem.
Pare de carregar ressentimentos. Todos nós podemos ser machucados emocionalmente, mas se você achar difícil perdoar e esquecer, com o tempo o peso da indignação vai machucar mais ainda. Não deixe o passado afetar sua vida. Você vai ver quão livre se sentirá quando aprender a perdoar. Deixe o passado ir embora, olhe para o futuro com esperança e isso o tornará mais brilhante!

6. Elas não levam as coisas para o lado pessoal.
Algumas pessoas simplesmente não suportam ser criticadas, levam tudo para o lado pessoal. Não importa se você é elogiada ou criticada, você pode fazer bom uso de qualquer informação. Ouça o que as pessoas dizem, não leve para o lado pessoal e você será capaz de transformar essas observações em crescimento pessoal. Ouça a opinião de outros sem colocar a emoção no meio. Aprenda a tirar proveito do que lhe é dito.

7. Elas não são vingativas.
Pessoas felizes não tentam se vingar, eles sabem que isso não traz felicidade. Você pode estar profundamente magoada, mas não estrague seu futuro com a culpa da vingança. A vingança pode até trazer satisfação, mas é um breve momento. A memória da vingança e a compreensão de que você se tornou igual à pessoa que te magoou, pode afetar sua vida para sempre. Tente perdoar e seguir em frente.

Fonte: http://www.senhorasesenhores.com/

segunda-feira, 13 de abril de 2015

JÁ PASSOU
texto publicado em 6 de abril de 2015
por Rafael Magalhães


Ainda bem que a gente não perde nunca essa mania de acreditar. 
Que amanhã vai ser melhor. 
Que o próximo amor virá para ficar. 
Que essa aflição um dia vai passar. 
Que a distância não pode nos impedir de sonhar. 
Que o nosso coração errante ainda toma jeito. 

No fundo a gente acaba acreditando. Por algo ou por alguém. 
É o que costumamos chamar de fé. 
Essa certeza de que o pior ficou para trás. 
Essa confiança de que existe alguém lá em cima observando nossa luta
 e preparando um belo prêmio. 
Essa crença de que a vida vai dar certo. E vai mesmo. 
Porque a mente atrai o clamor da alma. 
Porque quando a gente acredita, de verdade, as coisas acontecem. 
Porque o coração é uma fênix que não se cansa de renascer. 

E o amor não é uma invenção humana. 
E o bem há de prevalecer. 
A escuridão da madrugada assusta a tristeza. 
E amanhã o Sol estará mais uma vez no céu a brilhar. 
É a vida lhe dizendo na forma de luzes e cores que mais uma chance lhe foi dada. 
Enxugue o rosto, abra o armário e escolha o seu melhor sorriso. 
Confie em mim. 
Não é uma vida ruim. Foi só um dia difícil. E já passou.

Fonte: http://www.precisavaescrever.com.br/

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Reflexão

LIÇÃO DE VIDA


Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa . Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do diretor para a entrevista final. O diretor viu seu CV, era excelente. E perguntou-lhe: 
- Você recebeu alguma bolsa na escola? - o jovem respondeu - Não.
- Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
- Sim - respondeu ele.
- Onde é que seu pai trabalha?
- Meu pai faz trabalhos de serralheria.

O diretor pediu ao jovem para mostrar suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.

- Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
- Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

O Diretor lhe disse:
- Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!

Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.
Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.
Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:
- Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
O rapaz respondeu: 
- Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje... Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

O diretor disse: 
- Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de "Tenho direito" e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.
Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?
Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande... Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

(Tradução da postagem de Adri Gehlen Korb)

Fonte: Internet

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Reflexão


VIVER BEM O EVANGELHO


“Precisamos de doçura, hoje, de Nossa Senhora, para entender estas coisas que Jesus nos pede, não? Porque estas não são coisas fáceis de viver. Amar os inimigos, fazer o bem, emprestar sem esperar nada… A quem te bater na face, oferece também a outra, a quem te rasga o manto não reter também a túnica… Mas, coisas fortes, não? Mas tudo isto, a seu modo, foi vivido por Maria: é a graça da mansidão, a graça da brandura”

“Se o nosso coração, se a nossa mente está com Jesus, o triunfante, Aquele que venceu a morte, o pecado, o demônio, tudo, podemos fazer isto que nos pede o próprio Jesus e que nos diz o Apóstolo Paulo: a brandura, a humildade, a bondade, a ternura, a mansidão, a magnanimidade. Se não olhamos para Jesus, se não estamos com Jesus não podemos fazer isto. É uma graça: é a graça que vem da contemplação de Jesus”.

“Para perdoar, contempla Jesus sofredor. Para não odiar o próximo, contempla Jesus sofredor. Para não fofocar contra o próximo, contempla Jesus sofredor. O único”.

(Papa Francisco)

Fonte: http://papa.cancaonova.com/

sexta-feira, 27 de março de 2015

A TIGELA DE MADEIRA
 
 

Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

- Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai – disse o filho.

- Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.
Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram recriminações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.

O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:

- O que você está fazendo?

O menino respondeu docemente:

- Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer.

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família. Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.

Esta história nos lembra que pai e mãe idosos não têm mais as forças que os jovens têm. Mas eles possuem a experiência de vida e nós, filhos e netos, podemos aprender muito com eles. Demonstrações de amor e respeito para com eles são sinais de nossa gratidão e admiração por tudo o que fizeram e fazem por nós ainda hoje.

quinta-feira, 19 de março de 2015

sábado, 14 de março de 2015

Deixe-me Passar
por Rafael Magalhães


Deixe-me passar. Quando o desespero bater e quando o medo te impedir de lutar. Quando a dúvida aparecer e a saudade decidir te visitar. Quando parecer que não tem mais forças para prosseguir. Quando tudo parecer injusto e sem sentido. 
Deixe-me passar, quando o que você mais ama for brutalmente tirado de você, quando for obrigado a se despedir sem ter a chance de dizer um último adeus, quando os seus sonhos parecerem mais distantes. 
Deixe-me passar, quando aquela pessoa decidir que não quer mais fazer parte da sua vida, quando aquela outra, que você tanta confiava, te apunhalar pelas costas, quando aquele relacionamento, que você acreditou ser eterno, se transformar em uma mágoa. 
Deixe-me passar que eu te aponto o caminho. 
Deixe-me passar que, lá na frente, tudo isso fará sentido. 
Deixe que eu passe e leve essa dor que tanto te machuca, esse medo que te assombra, essa frustração por ainda não ter conquistado o futuro que sempre sonhou. 
Eu passo e te levo em meus braços. 
Eu passo e todo o resto há de passar também. 
Hoje você chora por uma flor e logo mais a frente eu lhe entrego um jardim inteiro. Porque eu sei qual é o seu caminho e para onde deve ir. Eu sei também de todos os espinhos que enfrentou até aqui. Sei que ainda chora escondido e, muitas vezes, sorri sem ter vontade. Eu sei e, se aceitar vir comigo, deixaremos tudo isso para trás. Acalma a sua alma e confie em mim. Entenda que, lá na frente, tudo vai se encaixar. 
Deixe-me passar, porque eu sou o seu melhor remédio, o seu grande amigo, trago todas as explicações e posso cicatrizar as suas feridas. A sabedoria não vem senão por mim. Quem me controla é um ser supremo e, por isso, eu nunca erro o traçado. Tire a sua angústia e ansiedade do caminho e deixe a passagem livre para que eu faça o que sei de melhor. 
Deixe-me passar, porque eu sou o tempo e, em mim, você pode confiar.

Fonte: http://www.precisavaescrever.com.br/

quinta-feira, 5 de março de 2015

Comportamento


7 Hábitos das pessoas cronicamente infelizes



Eu costumo ensinar sobre a felicidade e, quanto mais aprendo sobre isso, muito mais claros se tornaram os hábitos de quem não é feliz.

Há sete características que pessoas infelizes apresentam cronicamente.

De acordo com Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da Universidade da Califórnia: “40% da nossa da nossa capacidade de sermos felizes depende de nós mesmos.”

Se isso é verdade, e é, há esperança para todos nós. Há bilhões de pessoas no nosso planeta e sabemos claramente que alguns são verdadeiramente felizes. O resto de nós oscila entre felicidade e infelicidade, dependendo do dia.

Ao longo dos anos, eu aprendi que há certos traços e hábitos crônicos que pessoas infelizes parecem ter dominado. Mas antes de lhes mostrar, deixe-me lembrar: todos nós temos dias e até mesmo semanas ruins.

A diferença entre uma vida feliz e infeliz é quantas vezes e quanto tempo vamos ficar lá.

Aqui estão as sete características de pessoas cronicamente infelizes.

1. Sua crença padrão é que a vida é dura.

As pessoas felizes sabem que a vida pode ser dura e tendem a passar por momentos difíceis com uma atitude de enfrentamento e não de vitimização. Elas assumem a responsabilidade sobre seus atos e ficam focadas em resolver o problema o mais rápido possível.

A perseverança na direção da resolução de problemas é uma característica de uma pessoa feliz. As pessoas infelizes se vêem como vítimas da vida e ficam presas no “olha o que aconteceu comigo”, ao invés de encontrar um caminho para se livrar do problema.

2. Acreditam que a maioria das pessoas não é confiável.

Existe um discernimento saudável das relações que são boas das que são más para nós, mas a maioria das pessoas felizes tendem a confiar em seus companheiros. Elas acreditam no lado bom das pessoas ao invés de achar que são perseguidas por todo mundo que está lá fora pronto para pegá-las. Geralmente são mais abertas e amigáveis com as pessoas que encontram. As pessoas felizes alimentam um sentimento de comunidade em torno de si e conhecem novas pessoas com o coração aberto.

As pessoas infelizes são desconfiadas e assumem previamente que estranhos não podem ser confiáveis. Infelizmente esse comportamento começa lentamente a fechar a porta a qualquer conexão fora de um círculo interior e frustra todas as chances de encontrar novos amigos.

3. Concentram-se no que está errado neste mundo ao invés de se focarem no que está certo.

Há muita coisa errada neste mundo, mas as pessoas infelizes fecham os olhos para o que está realmente certo neste mundo e se concentram no que está errado. Você pode reconhecê-los a um quilômetro de distância, eles serão os únicos que se queixam e respondem a quaisquer atributos positivos de nosso mundo com “sim, mas”.

As pessoas felizes são conscientes das questões globais, mas equilibram a sua preocupação com o que é certo. Eu gosto de chamar isso de manter os dois olhos abertos. As pessoas infelizes tendem a fechar um olho em direção a algo de bom neste mundo de se distrair do que é errado. As pessoas felizes mantém a vida em perspectiva. Elas sabem que o nosso mundo tem problemas, mas elas também mantém um olho sobre o que é certo.

4. Comparam-se aos outros e são invejosas.

As pessoas infelizes acreditam que a sorte de outro alguém rouba a sua própria sorte. Elas acham que não há coisas boas suficiente para todos e constantemente comparam o que têm com o dos outros. Isto leva a inveja e ressentimento.

As pessoas felizes sabem que a sua boa sorte e circunstâncias de vida são apenas sinais de que elas também podem aspirar a alcançar. As pessoas felizes acreditam que elas carregam um modelo único que não pode ser duplicado ou roubado por qualquer pessoa no planeta. Elas acreditam em possibilidades ilimitadas e não se atolam pensando que a boa sorte de uma pessoa é algo limitado..

5. Esforçam-se para controlar tudo.

As pessoas felizes dão alguns passos por dia para atingir seus objetivos, mas percebem, no final, que há muito pouco controle sobre o que fazemos e que a vida joga a sua própria maneira.

As pessoas infelizes tendem a tentar controlar todos os resultados e desmoronam em uma exibição dramática quando algo não dá certo. As pessoas felizes podem ser tão focadas quanto, mas ainda têm a capacidade de seguir o fluxo e não se acabarem quando surgem os obstáculos.

A chave aqui é estar focado e orientado para o gol mesmo sabendo que o jogo pode ter que mudar.

6. Consideram o futuro com preocupação e medo.

As pessoas infelizes enchem seus pensamentos sobre como TUDO poderia dar errado.

As pessoas felizes assumir uma saudável dose de ilusão e se permitem sonhar com o que elas gostariam de ter na vida. As pessoas infelizes preenchem esse espaço da cabeça com constante preocupação e medo.

Pessoas felizes sentem medo e preocupação, mas fazem uma importante distinção entre sentir e viver. Quando o medo ou preocupação passa por suas cabeças, elas vão se perguntar se existe uma medida que pode ser tomada para evitar que o problema aconteça (há responsabilidade novamente). Se não, elas percebem que estão exagerando e deixam o assunto para lá.

7. Enchem suas conversas com fofocas e reclamações.

As pessoas infelizes gostam de viver no passado. O que aconteceu com elas e as dificuldades da vida são sempre a escolha da conversa. Quando elas pensam em coisas para dizer, elas preenchem sua conversa falando da vida dos outros e fazendo fofocas.

As pessoas felizes vivem no agora e sonham com o futuro. Você pode sentir a energia positiva delas. Elas são animadas com o que estão fazendo, gratas pelo que elas têm e sonham com as possibilidades da vida.

Obviamente nenhum de nós é perfeito. Todos nadaremos em águas negativas de vez em quando, mas o que importa é o tempo que ficamos lá. Ter hábitos positivos diariamente é o que diferencia as pessoas felizes das pessoas infelizes. Não é necessário fazer tudo perfeitamente.

Caminhe, caia, levante novamente, repita. É no levantar-se que reside toda a diferença.

Por Tamara Star, via: Life Hack
Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti

Fonte: http://www.contioutra.com/

domingo, 1 de março de 2015

O Direito ao Delírio - Eduardo Galeano



"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."

Fonte: http://glaucialimavoz.blogspot.com.br/

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Porque a saúde não mora só no corpo.


Detox na vida
Ruth Manus
18 Fevereiro 2015 | 11:32


Passou o natal, passou o ano novo, passou o carnaval. The game is over e a vida real pede passagem. É nessa hora que a febre detox-vida-nova-entrar-nos-eixos vem com força ainda maior- se é que isso é possível.

Detox vem da ideia de desintoxicar, tirar do corpo tudo o que não lhe faz bem. Louvável, sem dúvida nenhuma. Mas o problema começa quando as pessoas resolvem achar que duas garrafas de suco verde são a milagrosa solução para melhorar suas vidas.

2015 tá aqui na nossa frente e de nada vai adiantar desintoxicar o corpo, se a vida e a alma estão povoadas de hábitos, pessoas, dias e caminhos tóxicos. Parasitas, comodismos, vícios, medos.

Gente tóxica é o que mais tem. Gente cinza, amarga, invejosa, gente que gosta de problema, que gosta de doença, que gosta de discórdia, gente que vive de aparência, gente rasa. E não tem jeito, temos que fugir mesmo, cortar, evitar ao máximo. Bom dia, boa tarde e até logo. Não nos deixemos contaminar.

Não adianta comer chia toda manhã se a gente odeia o emprego e já sai de casa com vontade de voltar. Não dá para achar que o corpo vai estar puro se você não acredita no que faz e passa mais de 40 horas da semana ruminando tarefas infelizes.

Não adianta beber 3 litros de água por dia quando se está num relacionamento que afundou. É cômodo, todos sabemos. Mas a vida é uma só e não dá para ver os dias, meses e anos passarem com migalhas de amor e sem vestígios de paixão.

Não adianta colocar linhaça nas receitas quando só se reclama da vida, dos outros, do país, do calor, da chuva, do trânsito. É um círculo vicioso, quanto mais a gente fala das coisas ruins, menos atenção a gente dá às coisas boas e a vida vai ficando ruim, ruim, ruim.

É ilusão achar que a mudança vem de fora para dentro. Que a felicidade e a saúde cabem em embalagens plásticas com códigos de barra. Produtos podem ser ótimos coadjuvantes nessa busca, mas a verdadeira mudança é só o protagonista quem faz.

E eu quero um 2015 detox.

Detox de dias iguais.

Detox de gente ruim.

Detox de maus hábitos.

Detox de inveja.

Detox de relações doentes.

Detox de obsessões.

Detox de pessimistas.

Detox de medo de mudar.

Detox de dias desperdiçados.

Detox de sentimentos pobres.

Detox de superficialidade.

Detox de vícios.

Detox de viver por viver.

E pra fazer detox na vida é preciso coragem. Coragem para mudar, para arriscar, para romper, para fechar ciclos que há muito tempo deveriam ter terminado. O ano oficialmente começou e a pergunta é: vai ter só suco verde ou vai ter detox na vida?

Fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/detox-na-vida/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Quaresma




Ontem começamos a Quaresma e o Papa Francisco nos deu 15 conselhos, bem simples, que podem ajudar a vivê-la bem e melhor. 
Vamos procurar seguir, nem que seja alguns deles? 

Os conselhos são:

1. Sorrir, um cristão é sempre alegre!

2. Agradecer (mesmo se não "precisar" fazê-lo).

3. Lembrar aos outros que você os ama.

4. Cumprimentar com alegria essas pessoas que você vê todos os dias.

5. Ouvir a história do outro sem preconceito, com amor

6. Parar para ajudar quando alguém precisar.

7. Incentivar quem está desanimado.


8. Alegrar-se pelas qualidades ou realizações dos outros.

9. Juntar as coisas que você não vai mais usar e dar a quem precisa.

10. Ajudar quando necessário para que outro descanse.

11. Corrigir com amor, e não calar por medo.

12. Ter bons detalhes com os que estão perto de você.

13. Limpar o que eu uso em casa.

14. Ajudar os outros a superar os obstáculos.

15. Ligar para os pais, falar mais com eles.

♥ ♥ ♥

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Reflexão

Pensar é transgredir
 Lya Luft


Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.

Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.

Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.

Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"

O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.

Sem ter programado, a gente pára pra pensar.

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.

Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.

Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. 
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

♣   ◘   ♣

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Viamantes


Já aprendi a controlar todos os meus vícios, exceto essa necessidade incessante de viajar. É que, quanto mais lugares eu conheço por aí, menor fica o lugar onde nasci.
Preciso constantemente de novas pessoas, novos cenários, novas histórias e novos sabores. Desejo partir deste mundo com a certeza de que os meus olhos tenham contemplado tudo de mais belo que nele existe.
Preciso viajar assim como um pássaro precisa do ar. Porque viajar, para mim, é como uma terapia. É perceber que o mundo é muito maior que os meus problemas. É entender que o desejo precisa ir além do horizonte. É mergulhar para dentro de mim. É realizar que a humanidade vai muito além de nós. É ter a certeza que existe um ser supremo que criou tudo que existe por aí.
Uma pena as lentes não conseguirem registrar tudo o que já conheci.
Quem dera meus olhos pudessem tirar fotos. Gostaria de poder te mostrar meu álbum de memórias. Todas as praias, montanhas e florestas. Todos os rios, penhascos e cachoeiras. Do branco da neve ao verde do mar. Do gosto do vinho ao sorriso da garota que, certa vez, me fez apaixonar.
Queria ter a chance de, um dia desses, te levar comigo. Mostrar aquele vilarejo pertinho do rio. Aquela selva de pedras e todos os seus arranha-céus.
Adoraria dividir com você. Sentar naquele penhasco e ficar admirando a batalha entre as rochas e as ondas. Quem sabe, conhecendo tudo isso, você pare de olhar tanto para o próprio umbigo. Quem sabe, pare de sofrer por tão pouco. Quem sabe, consiga ampliar a sua visão. Quem sabe, perceba de uma vez, o quanto é estúpido sofrer pela falta do amor de alguém, quando descobrir a quantidade de novas paixões que te esperam por aí.
E não me venha dizer que é por falta de dinheiro. Eu bem sei que, muitas das vezes, tudo não passa de uma questão de prioridade. Qual é a sua? Aliás, quem é você? Por onde andou? O que tem para contar? Como anda o seu álbum de memórias? Ainda dá tempo de incrementá-lo.
Se você pudesse escolher qualquer paisagem do mundo para tirar uma foto, qual seria? Já se decidiu? E o que precisa fazer para chegar até lá?
Saia da inércia! Por uma vida com menos TV ligada e mais vento no rosto. Por menos pontos batidos e mais carimbos no passaporte. Por menos fotos curtidas e mais momentos vividos.
Comece agora! Viaje para fora. Descubra-se por dentro. Escolha o seu destino. Faça a sua mala. Aumente o som. Abra a janela.
A vida está passando lá fora.

Por Rafael Magalhães
 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015


SOBRE A LIBERDADE
 Marla de Queiroz
 

Impor limites não é uma estratégia, não é uma falta de liberdade, é uma libertação.
Não há mal nenhum em saber dizer que a gente só pode, por enquanto, ir até aquele determinado ponto. Isso é de um profundo respeito por todo o mundo.
Quem sabe impor limites aprendeu a dizer um “não” sincero, em vez de dizer “sim” e depois fugir aflito deixando alguém num deserto de dúvidas sobre o que possa ter acontecido.
Quem aprendeu a impor limites, aprendeu também a não se magoar com os nãos sinceros que recebeu, mas a agradecê-los.
Quem acha que ser livre é não ter limites, acaba sendo escravo de um comportamento, de um vício, de uma alegria, de uma convicção, de um relacionamento que não se pontua nunca. Isto é limitador.
Ser livre é saber estabelecer limites dentro daquele contexto e ainda assim poder olhar para o mundo e para si próprio com uma visão ilimitada: quem aprende a impor limites, talvez aprenda a compreender delimitações, as deficiências alheias e as próprias. E quando seria uma situação de mágoa, sabe que por mais que lhe pareça desagradável a atitude do Outro, é o seu limite, o que não o reduz a ele.

Ontem comecei uma pintura abstrata numa caixa de papelão. A ideia era deixar a mão fluir em liberdade para criar. Fiz os contornos em preto com toda a fluidez da minha imaginação. Em determinado momento, senti vontade de preencher com cores os espaços demarcados. E descobri: eu não queria que o meu verde invadisse o roxo, mudaria absolutamente a cor. Eu queria exatamente aquilo: as duas cores próximas, em harmonia, mas com o traço preto delimitando seus espaços para que todos pudessem se sobressair em sua peculiaridade e para que, no coletivo, brilhassem juntos. E para isso, eu precisei criar barreiras para impossibilitar as cores de se misturarem.

Pintando a minha caixa de papelão. eu descobri que estabelecer os meus limites fazia parte daquele meu momento da mais total liberdade de expressão.

 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Reflexão


UM OLHAR AMOROSO SOBRE SI MESMO
Padre Fabio de Melo
 

Esperanças costumam nascer das derrotas. É a resposta da vida quando o silêncio parece prevalecer sobre suas falas. Eu gosto de ouvir as vozes dos acontecimentos. O desafio é calar minhas perguntas desnecessárias. Enquanto pergunto eu perco o poder de ouvir. Minha voz e suas interrogações não me permitem perceber a resposta que está alojada no interior do acontecimento.

 Perseguir o silêncio é o mesmo que perseguir a sabedoria. Os sábios falam menos e escutam mais. Eles não se apressam em dar nomes às realidades. Eles demoram os olhos na realidade e sabem aprecia-la sem pressa. Olhar devagar é um dom que desejo possuir.

 O olhar apressado é a matriz de todo preconceito. Acho que vi, mas não vi. E o pior, digo que vi, sem ter visto.
Jesus só olhou o mundo sem pressa. E por isso Ele era capaz de ver o que ninguém via. Olhou Madalena e não viu a prostituta que todos viram. Viu a mulher, viu o ser humano que precisava ser resgatado dos olhares apressados que a condenavam.

 Olhou Pedro e não viu somente o pescador. Viu o homem que poderia vir a ser. Viu a eloquência das palavras aprisionadas em seu “não saber dizer”. Viu o profeta escondido detrás da timidez e do medo.
Ultrapassou os excessos da vida errante e enxergou o santo que ali estava adormecido.

 Eu não sei como anda o seu olhar sobre si mesmo. Não sou conhecedor da pressa ou da calma do seu olhar. Uma só coisa eu sei, e sobre isso quero lhe dizer. Há em você um universo de verdades a ser descoberto. Há uma humanidade linda que ainda precisa passar pelo processo do florescimento. 

 Não sabe por onde começar? Eu lhe dou uma dica. Comece a prestar atenção no jeito com você se enxerga, no jeito como você se trata, no jeito como você se interpreta. Não aloje em seu coração sentimentos que sejam contrários à sua felicidade. Não deixe demorar dentro de você o que na vida não valeu à pena. Expulse de sua mente tudo o que for contrário ao que Deus espera de você.

 Cultive esta certeza: o olhar de Jesus já lhe atingiu! Ele confia profundamente em tudo o que você ainda pode ser. Não se prenda aos seus fracassos. Eles não são nada perto de tudo o que Deus preparou para o seu futuro. Derrotas podem ser fontes de esperanças...

 Veja o avesso de suas inseguranças. Há uma coragem que você precisa enxergar. Ela é necessária como o pão de cada dia.
Hoje é dia de olhares demorados...

 Veja em você o que Jesus já viu. Lance sobre você um olhar amoroso. É disso que você está necessitando.

 Fonte: Recebido por WhatsApp

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015


Para iniciar bem o ano
por Martha Medeiros


Selecionei algumas frases de pessoas célebres e outras nem tanto, a fim de montar um mosaico que nos faça relaxar e refletir sobre essa aventura insana que é viver. Levantar de manhã já pode ser considerado um esporte radical, então está aí um kit de sobrevivência para nos socorrer quando estivermos ligeiramente em pânico e levando tudo a sério demais.

– Se quiser fazer Deus rir, faça planos. (aforismo iídiche)

– É preciso ter altos e baixos. De outra forma, você não saberia a diferença. Seria tudo uniforme, linha reta, como olhar para um monitor de batimentos cardíacos. E, quando rola aquela linha reta, baby, você está morto. (Keith Richards)

– Segurança não é ausência de perigo; segurança é o gerenciamento do medo. (Wendy Reid Crisp)

– Sossega, porque nada há que esperar, e por isso nada que desesperar também. (Fernando Pessoa)

– Felicidade se acha é em horinhas de descuido. (Guimarães Rosa)

– As coisas boas vêm com o tempo. As melhores, de repente. (Denise Lessa)

– Tudo é saudável, menos interrogar-se constantemente sobre o sentido dos nossos atos. (E.M. Cioran)

– Desconfio/dessa coisa/de pessoas do bem/e pessoas do mal/acho que só existem/as sensíveis/e as sem sal. (Josué Orsolin)

– Ninguém vale pela sua ascendência, pelo lugar onde nasceu nem pela tradição a que pertence, mas cada um vale pelo que conseguirá fazer da sua vida. (Contardo Calligaris) 

– É melhor buscar a verdade do que a glória. Que humilhação ter a aprovação dos outros como objetivo. (E.M. Cioran)

– Aquele que não dispõe de dois terços do dia para si é um escravo. (Nietzsche)

– Eu gostaria de fazer um grande filme, desde que isso não atrapalhe minha reserva para o jantar. (Woody Allen)

– O objetivo da psicanálise não é curar as pessoas, mas mostrar que não há nada de errado com elas. (Adam Philips)

– O custo de uma coisa é a quantidade de vida que se tem que dar em troca. (H.D. Thoreau)

– Se você for sempre o guia, só vai chegar aonde já conhece. (Maria Rezende)

– Um passo à frente e já não se está no mesmo lugar. (Sandra Flanzer)

– As pessoas se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam. (Pedro Maciel)

– Nunca vou entrar no céu. Minha esperança é um telão do lado de fora. (Dirceu Ferreira)

– Hoje é um bom dia para continuar insistindo. (Caio Fernando Abreu)

– Desejo a todos um ano que valha o esforço de viver. (Nélida Piñon)

Fonte: Jornal Zero Hora de 31/12/2014

terça-feira, 6 de janeiro de 2015


 GRITO MUDO

"Como diz Drummond “Perdi o bonde e a esperança./ Volto pálida para casa”. Mas não posso deixar de bradar o meu desespero. Há algo de estranho entre os homens. Estarei sozinha na explosão interior? Creio que não.

O mundo se torna cada vez mais superficial, alheio aos apelos humanitários: valores inexistem, sentimentos se destroçam, honestidade se discute, a ética se adjetiva, cortesias desaparecem, o imediatismo impera... Olhar para o lado e avistar o outro é coisa do passado; importa a celeridade do ver e não enxergar.

Tenho medo da mentalidade vigente e recuo diante da multidão embotada por princípios distorcidos.

O ato de pensar se afasta da humanidade. Prevalece a ganância por uma escalada ao poder. A visão materialista se apossa das pessoas e “ter” corresponde à glória do pódio. “Ter” e não “Ser”. A patologia social embrenha-se nos cantos e recantos mais longínquos; pior, aqueles que se recusam a participar do redemoinho da insensatez sofrem a exclusão dos ingênuos. A mediocridade tem parentesco próximo à soberba, ambas andam de mãos dadas, a alfinetar a jactância com malditas persuasões. Ora, se nada é duradouro, por que perder tempo com ponderações mais profundas? Ludibriar faz parte desse palco histriônico: luzes, coreografias, matizes berrantes auxiliam a anestesia social; embriagada pelo individualismo e pela insensata altivez, a humanidade caminha.

O capitalismo avança com suas garras sedutoras. E o mundo gira; mas tem girado em torno de um mesmo tema: a banalização. Com exceções, evidentemente. A juventude se enreda em altos decibéis, e cada acorde estrondoso consigna o atordoamento de um grupo devotado à mediocridade. Sair de casa é enfrentar o bulício de vozes, de carros que buzinam, vitimados pelo caos do trânsito; de restaurantes inebriados por músicas estridentes; de rádios ligados em volumes inaceitáveis; de vitrines reluzentes, a fascinar olhos desatentos... O que se passa?

O Recife parece ter perdido o seu ar heráldico para se deixar emaranhar numa rede de insignificâncias. A elegância, a educação, a discrição, a gentileza, a valorização do erudito, sem esquecer do popular, a magnanimidade da sabedoria... são lembranças em extinção. E, no entanto, temos uma tradição digna de reverências. Mas, não. Pichar muros, ignorar ou ultrajar monumentos, desconsiderar os mais velhos, abandonar rituais, desprezar o patrimônio moral e material equivalem a ser moderno, a estar na ordem do dia, a endossar a fileira dos que aplaudem a decadência da cultura. Oswald Spengler já há muito anunciava tal abismo. Não, não é possível cruzar os braços; as coisas não vão bem. Enquanto a ordem familiar e social não se conscientizar da sua própria ruína, nada poderá ser feito.

Sei que sou considerada antiga, apegada a valores tradicionais, vencida por sonhos quase delirantes; mesmo assim, uso a palavra como único meio de alerta, palavra que também se encontra enfraquecida, anêmica, quase agônica. Tenho certeza, entretanto, que ainda é hora de repetir Chesterton: “Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo”.

Fátima Quintas é presidente da Academia Pernambucana de Letras.

Artigo publicado no Caderno Opinião do Jornal do Comercio, dia 18 de junho de 2014.